quinta-feira, 17 de outubro de 2013

As aventuras de Pi, o poder da escolha e a maldita voz interna



Já faz um bom tempo que vi o filme As Aventuras de Pi, talvez uns 6 meses. Logo depois do filme a primeira coisa que me veio a cabeça foi Escolha, escolher ter fé.
Essa semana o filme voltou aos meus pensamentos na hora de dormir, sem motivo aparente, junto com essa minha primeira interpretação baseada na escolha.
Pensando melhor nisso de se escolher ter fé: escolhemos acreditar ou não em uma força superior. A fé é uma escolha, não se tem provas, não se tem nada além da escolha de acreditar.
Muita coisa na vida é assim, senão tudo. Todos temos coisas boas e coisas ruins, problemas e motivos para sermos gratos, milagres e dificuldades. Mas focar no lado bom ou no lado ruim é uma escolha pessoal e que para mim é muito parecida com acreditar ou não em qualquer divindade.

É a velha história da metade vazia ou da metade cheia do copo.

Por muito tempo eu escolhi olhar só para o negativo e amaldiçoar todos os problemas. Mas desde que escolhi mudar o foco, mudar a visão, e lembrar de tudo porque sou grata, as dádivas e milagres da vida tenho me sentido melhor, tenho mais vontade de acordar de manhã, valorizo mais meus dias.

E não, não é fácil mudar a visão quando se está acostumada a olhar a metade vazia. No começo parece meio forçado, procuramos uma coisa boa, pensamos nela, agradecemos por ela, e aquela 'vozinha' irritante dentro da cabeça nos faz sentir idiota, tenta lembrar de tudo de ruim que temos e principalmente que somos. Calar essa voz não é fácil. E eu nem sei bem dizer se ela é minha, se ela é da sociedade, se ela é da minha criação, se ela é instintiva, acho que um pouco de cada, e sua única função é atrapalhar...

Então quando a voz diz algo como "Você faz tudo errado! Por que não é mais cuidadosa?" eu tento reconhecer de onde ou de quem ela vem (tenho aprendido a descobrir as fontes e isso ajuda a eliminá-la). Por vezes ela é de uma pessoa a minha volta que me disse tanto isso ou se disse tanto isso que eu a espelhei, por vezes é da mídia, da sociedade, ou de alguma crença minha mesmo...
Depois tento descobrir o que ela me mostra, nesse caso, por que eu acredito que não sou cuidadosa? Tento vasculhar dentro de mim. Se realmente eu achar que não sou cuidadosa, tento aceitar.

"Ok, eu não sou cuidadosa. Mas eu vou aprender a ser. E ficar me culpando por isso não vai ajudar. Aceito que sou assim e vou fazer melhor sempre que puder."

É incrível o quanto aceitar ao algo ao invés de lutar contra nos permite fluir e iniciar a mudança. Que não, não é simples, nem fácil, mas sem a cobrança, a culpa ou as vozes irritantes, fica gostoso! Porque estamos melhorando, crescendo, ao invés da frustração por sermos assim, fica o prazer da possibilidade de sermos melhores hoje do que fomos ontem, e melhor ainda amanhã!

E essa mesma voz vai voltar de novo, e de novo, e de novo... mas já sabendo a origem e o porque ela vem, eu consigo mandar ela calar a boca. (É isso mesmo que eu faço, gente! Eu mando ela calar a boca, às vezes vai um palavrão junto, mas deixa para lá, né? A questão é que funciona rs).

Das crenças mais difíceis são as que ouço de todos a minha volta desde que me lembro por gente, por exemplo: que eu sou preguiçosa e bagunceira. E hoje penso se essa é mesmo minha essência ou me condicionei assim pela crença alheia. Porque estou levantando as 5h30 da manhã com prazer, minha casa está organizada, vou encarar um dia de trabalho que me deixa muito feliz... será que sou mesmo preguiçosa e bagunceira? Ou será que me fizeram acreditar que eu fosse? A verdade é que eu nunca vou ter essa resposta, porque também é possível que meu prazer venha de conseguir contradizer os outros (hoho), mas sigo tentando eliminar as crenças limitadoras, aceitando o que sou e melhorando o que quero e preciso.

Nem sempre as crenças vem claras na mente, às vezes não tem uma voz dizendo "Por que você tem de ser tão preguiçosa?". Mas tem o incômodo por não conseguir dar conta de alguma coisa, e a sensação que qualquer outra pessoa daria e o defeito é comigo. São desdobramentos mais sutis da crença e bem mais difíceis de lidar!

Ahh, outra forma de perceber essas crenças internas é olhar com calma sempre que algo que alguém nos diz incomoda e pisa na ferida, sabe como é? Então, tem crença limitante ai!

E você, quais suas crenças limitadoras? Quais já consegui combater?

PS: Ainda tenho várias! Algumas que ainda me fazem sentir muito mal e que me fazem sentir que tenho defeito o suficiente para não ter coragem de declarar aqui. Muito trabalho pela frente! rs




terça-feira, 1 de outubro de 2013

A terapia do choro

Nos últimos dias tive de encarar o choro de diversas formas.

No domingo eu chorei  minhas dores. Meu peito foi invadido pelo medo e me sentia perdida. Meus pensamentos ficaram absurdamente negativos. Não conseguia sentir gratidão ou enxergar as coisas boas (e isso foi consciente, tentei mentalizar coisas boas!). Enquanto despejava toda tristeza no ouvido do meu marido (obrigada, amor! rsrs) a vontade de chorar veio tímida e permiti o choro.

Chorei lágrimas. Chorei lamentos. Falei tudo de ruim que passou na minha cabeça. E quando não sobrou mais nada, nem lágrima nem lamento, me senti leve! Foi como se o desabafo em lágrimas e palavras colocasse tudo para fora de mim. Como esvaziar um copo cheio e dar espaço para esperança novamente.

Isso me fez pensar no porquê de hoje em dia ser tão difícil chorar.
Por que seguramos e temos vergonha das lágrimas?

Nos incomodamos com o choro das crianças, dos bebês. Não gostamos de ver adultos chorando. Tentamos agradar, distrair, estancar as lágrimas! Mas elas são terapêuticas, ao cair fazem uma faxina e nos fazemos sentir melhor.

Depois encarei mais uma situação com choro e percebi o quanto tentei evitar o choro do meu filho e como isso fez mal para nós. (falei melhor sobre isso aqui)

Acho que preciso reaprender a chorar, em alguma parte do meu caminho me ensinaram que chorar é ruim e vergonhoso. Que incomoda! Assim como devem ter ensinado para você. Mas podemos mudar isso. Podemos aceitar e receber o choro, agradecer sua presença e sua faxina emocional. Ensinar nossas crianças que chorar é preciso. Não nos envergonharmos ou irritarmos com o choro dos pequenos ou dos adultos.

Agora vejo o choro como uma ponte entre a desesperança e a esperança. Entre a vontade de desistir e a de tentar de novo. Entre e a insegurança e a confiança.

E você? Aceita seu choro? Aceita o choro alheio ou fica desesperado esperando que acabe logo?

Dê boas vindas as lágrimas!