sábado, 31 de agosto de 2013

Eu mereço?

Eu mereço comer doces, comprar coisas, deixar de fazer o que me faz bem para descansar. Mas isso são coisas ruins, pq eu acho que mereço coisas ruins como recompensa?

Pq acho que mereço me envenenar com doces? Me satisfazes com algo fulgaz como uma compra?

Será que o que vejo no consciente como recompensa no inconsciente é castigo? Acho que mereço coisas ruins pq não sou boa?

Será que me achar feia, chata, anti social, fraca timida desleixada porca procastinar  incompetente preguiçosa lerda covarde invejosa magra peluda branca descabelada incostante depressiva suicidia e todas as outras coisas ruins que penso de mim fazem com que eu queira me torturar e me castigar?

Como se reverte isso? Será que me cuidar como esperam fazendo depilação unha maquiagem usando roupas desconfortáveis saltos vertiginosos e fazer tudo isso com sorriso no rosto e feliz da vida pq é me cuidar é me amar na verdade não são torturar que aceito por não me achar suficientemente boa, bonita, perfeita.

Será que ser mulher me faz me sentir culpada pelos meus ciclos pelo meu sangue e por isso aceito pílulas, hormônios? Aceito que tirem de mim minha força e me sinto merecedora do que me faz mal.

Me torturo me anulo me perco me entrego a quem não me ama e acho que estou me cuidando, me amando. Me castigo porque não sou como deveria ser. Me culpo seja fêmea do meu peito. Mato minha alma dia após dia porque ela me envergonha.

Minha força esmagada por todas as regras disfarçada de escolhas. Peito dilacerado pela proibição de ser quem sou.

Minha pele te enoja, meus pelos te envergonham. Fluídos, gases, odores! Sou mulher, estou viva! Eu como e arroto. Suo. Mijo. Cago. Peido. Sim! Eu estou viva! Minha alma ruge no meu peito. Você não vai me silenciar.

Eu não mereço nada menos do que ser eu mesma e estar viva. Com todos os odores e fluídos que isso representa.

Dispenso suas torturar disfarçadas de feminices. Dispenso o salto, a pintura, a perfumaria. Dispenso pílulas, hormônios. Quero meu sangue fluindo do meu ventre. Quero leite jorrando dos meus seios. Quero a vida gerada no meu ventre, no coração e na minha alma.

É! EU GERO VIDA! Filhos, ideias, sonhos, projetos...

Sou mulher e não vou mais me castigar pela minha força. Pela minha perfeição cheia de falhas. Pelo meu corpo único. Minha beleza que é só minha. Não vou mais me desculpar pelos meus pelos ou odores. A vida cheira com ousadia. Seus castigos não me pertencem, são seus!
Não vou mais implorar perdão por gerar vida, por enfeitas o mundo. Por querer liberdade. Por querer ser inteira. POR SER!

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