quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sentido

E um dia as passadas trôpegas começam a fazer sentido.
Não é um sentido racional, objetivo, não é o sentido que eu esperava.

É melhor.

É um sentido estranhamente, literal, é SENTIR que eu sigo para onde deveria. Lugar esse que não sei onde é. E hoje, isso simplesmente não importa. Sigo sabendo que meu coração e meu sentir me guiam e isso me basta.

Cada dia traz a sensação de que o objetivo que me propus no final de 2010 foi alcançado, pode não ter sido de todo, mas o processo está aqui e é ele que me importa.

Naquele dia em que decidi me dedicar a ÁGUA e a tudo que ela me traria, recebi de volta o dom de gestar, de gerar, de criar, de transmutar e de SENTIR. Recebi no ventre uma semente. E essa semente trouxe Benjamin, mas trouxe também tantas coisas mais. Eram as águas rompendo em minha vida.
Não foi fácil, não foi sem dor, o sofrimento muitas vezes esteve presente. E eu sei que tudo fez parte do processo para que pudesse aprender o que as mulheres maravilhosas que cruzaram meu caminho (online ou concreto) falavam tanto: Aceitar, Confiar e me Entregar.

Muitas vezes eu não entendia a lição, minha mente a repetia constantemente, mas meu peito não conseguia seguí-la. E então fui percebendo o vazio das palavras, o vão entre o falar, pensar e o sentir, fazer.

Não posso dizer que a lição foi definitivamente aprendida, diariamente tento olhar para o que não estou aceitando. Acho que ainda nem cheguei de verdade ao confiar e me entregar. Mas é isso que é, um exercício diário, um exercício para ser feito no presente. Interiorizar isso e fazer no automático é que são elas... um dia chegarei lá. Enquanto isso, me esforço para tomar consciência do que não aceito, do que me nego.

E assim, as águas fluíram. A represa se rompeu. As emoções fluem e nem sempre eu sei lidar com elas, muitas vezes a segurança de me anestesiar volta (e eu tento aceitar! rs).

Mas sinto que essa jornada me colocou mais perto do que eu busco: eu mesma. Me sinto mais senhora de mim, mais autêntica. E por mais que às vezes eu insista em olhar para a metade vazia, para o que está ruim, para o que está estagnado a outra parte de mim flui, cresce.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

...huuuunf ahhhhhhh....

Eu sei, eu sei. "Eu não tenho tempo" é o novo "o cachorro comeu minha lição de casa"*. Mas é, não tem sobrado muito tempo para escrever. Entre cuidados com meu filho e crises existenciais está difícil parar para escrever.

Na verdade, tenho aproveitado os espaços de tempo para ler, li muito nesses últimos dias e foi como recuperar uma parte de mim. Foi bom lembrar de como um livro pode ser um farol para mim. Me perder em histórias alheias faz com que eu me desligue dos meus pensamentos, e acredite, meus pensamentos são bem doentios.

Mas não dá para ficar fugindo deles para sempre.
Não dá e não posso.

Eu nem sei bem o que me incomoda. Às vezes penso que pode ser só imaturidade, e parte de mim quer sentar e esperar passar, vou crescer um dia, né? Mas e se não for? Se eu chegar aos 34 e continuar assim, com essa nostalgia, com essa sensação de que não vale a pena viver?

De onde vem tanto desânimo? De onde?
De onde surgem os pensamentos negativos?
De onde vem tanta irritação? O que consome minha paciência?

Onde encontro meu equilíbrio?
Que vida eu quero para mim?
Quem eu quero ser?

É como se eu tivesse todas as respostas, mas não as conseguisse tirar de mim. Como ter as soluções e não consegui-las por em prática.

Droga, me sinto uma adolescente. Sei lá, talvez ainda seja...








*Analogia bacaninha que vi no Facebook.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

As aventuras de Pi, o poder da escolha e a maldita voz interna



Já faz um bom tempo que vi o filme As Aventuras de Pi, talvez uns 6 meses. Logo depois do filme a primeira coisa que me veio a cabeça foi Escolha, escolher ter fé.
Essa semana o filme voltou aos meus pensamentos na hora de dormir, sem motivo aparente, junto com essa minha primeira interpretação baseada na escolha.
Pensando melhor nisso de se escolher ter fé: escolhemos acreditar ou não em uma força superior. A fé é uma escolha, não se tem provas, não se tem nada além da escolha de acreditar.
Muita coisa na vida é assim, senão tudo. Todos temos coisas boas e coisas ruins, problemas e motivos para sermos gratos, milagres e dificuldades. Mas focar no lado bom ou no lado ruim é uma escolha pessoal e que para mim é muito parecida com acreditar ou não em qualquer divindade.

É a velha história da metade vazia ou da metade cheia do copo.

Por muito tempo eu escolhi olhar só para o negativo e amaldiçoar todos os problemas. Mas desde que escolhi mudar o foco, mudar a visão, e lembrar de tudo porque sou grata, as dádivas e milagres da vida tenho me sentido melhor, tenho mais vontade de acordar de manhã, valorizo mais meus dias.

E não, não é fácil mudar a visão quando se está acostumada a olhar a metade vazia. No começo parece meio forçado, procuramos uma coisa boa, pensamos nela, agradecemos por ela, e aquela 'vozinha' irritante dentro da cabeça nos faz sentir idiota, tenta lembrar de tudo de ruim que temos e principalmente que somos. Calar essa voz não é fácil. E eu nem sei bem dizer se ela é minha, se ela é da sociedade, se ela é da minha criação, se ela é instintiva, acho que um pouco de cada, e sua única função é atrapalhar...

Então quando a voz diz algo como "Você faz tudo errado! Por que não é mais cuidadosa?" eu tento reconhecer de onde ou de quem ela vem (tenho aprendido a descobrir as fontes e isso ajuda a eliminá-la). Por vezes ela é de uma pessoa a minha volta que me disse tanto isso ou se disse tanto isso que eu a espelhei, por vezes é da mídia, da sociedade, ou de alguma crença minha mesmo...
Depois tento descobrir o que ela me mostra, nesse caso, por que eu acredito que não sou cuidadosa? Tento vasculhar dentro de mim. Se realmente eu achar que não sou cuidadosa, tento aceitar.

"Ok, eu não sou cuidadosa. Mas eu vou aprender a ser. E ficar me culpando por isso não vai ajudar. Aceito que sou assim e vou fazer melhor sempre que puder."

É incrível o quanto aceitar ao algo ao invés de lutar contra nos permite fluir e iniciar a mudança. Que não, não é simples, nem fácil, mas sem a cobrança, a culpa ou as vozes irritantes, fica gostoso! Porque estamos melhorando, crescendo, ao invés da frustração por sermos assim, fica o prazer da possibilidade de sermos melhores hoje do que fomos ontem, e melhor ainda amanhã!

E essa mesma voz vai voltar de novo, e de novo, e de novo... mas já sabendo a origem e o porque ela vem, eu consigo mandar ela calar a boca. (É isso mesmo que eu faço, gente! Eu mando ela calar a boca, às vezes vai um palavrão junto, mas deixa para lá, né? A questão é que funciona rs).

Das crenças mais difíceis são as que ouço de todos a minha volta desde que me lembro por gente, por exemplo: que eu sou preguiçosa e bagunceira. E hoje penso se essa é mesmo minha essência ou me condicionei assim pela crença alheia. Porque estou levantando as 5h30 da manhã com prazer, minha casa está organizada, vou encarar um dia de trabalho que me deixa muito feliz... será que sou mesmo preguiçosa e bagunceira? Ou será que me fizeram acreditar que eu fosse? A verdade é que eu nunca vou ter essa resposta, porque também é possível que meu prazer venha de conseguir contradizer os outros (hoho), mas sigo tentando eliminar as crenças limitadoras, aceitando o que sou e melhorando o que quero e preciso.

Nem sempre as crenças vem claras na mente, às vezes não tem uma voz dizendo "Por que você tem de ser tão preguiçosa?". Mas tem o incômodo por não conseguir dar conta de alguma coisa, e a sensação que qualquer outra pessoa daria e o defeito é comigo. São desdobramentos mais sutis da crença e bem mais difíceis de lidar!

Ahh, outra forma de perceber essas crenças internas é olhar com calma sempre que algo que alguém nos diz incomoda e pisa na ferida, sabe como é? Então, tem crença limitante ai!

E você, quais suas crenças limitadoras? Quais já consegui combater?

PS: Ainda tenho várias! Algumas que ainda me fazem sentir muito mal e que me fazem sentir que tenho defeito o suficiente para não ter coragem de declarar aqui. Muito trabalho pela frente! rs




terça-feira, 1 de outubro de 2013

A terapia do choro

Nos últimos dias tive de encarar o choro de diversas formas.

No domingo eu chorei  minhas dores. Meu peito foi invadido pelo medo e me sentia perdida. Meus pensamentos ficaram absurdamente negativos. Não conseguia sentir gratidão ou enxergar as coisas boas (e isso foi consciente, tentei mentalizar coisas boas!). Enquanto despejava toda tristeza no ouvido do meu marido (obrigada, amor! rsrs) a vontade de chorar veio tímida e permiti o choro.

Chorei lágrimas. Chorei lamentos. Falei tudo de ruim que passou na minha cabeça. E quando não sobrou mais nada, nem lágrima nem lamento, me senti leve! Foi como se o desabafo em lágrimas e palavras colocasse tudo para fora de mim. Como esvaziar um copo cheio e dar espaço para esperança novamente.

Isso me fez pensar no porquê de hoje em dia ser tão difícil chorar.
Por que seguramos e temos vergonha das lágrimas?

Nos incomodamos com o choro das crianças, dos bebês. Não gostamos de ver adultos chorando. Tentamos agradar, distrair, estancar as lágrimas! Mas elas são terapêuticas, ao cair fazem uma faxina e nos fazemos sentir melhor.

Depois encarei mais uma situação com choro e percebi o quanto tentei evitar o choro do meu filho e como isso fez mal para nós. (falei melhor sobre isso aqui)

Acho que preciso reaprender a chorar, em alguma parte do meu caminho me ensinaram que chorar é ruim e vergonhoso. Que incomoda! Assim como devem ter ensinado para você. Mas podemos mudar isso. Podemos aceitar e receber o choro, agradecer sua presença e sua faxina emocional. Ensinar nossas crianças que chorar é preciso. Não nos envergonharmos ou irritarmos com o choro dos pequenos ou dos adultos.

Agora vejo o choro como uma ponte entre a desesperança e a esperança. Entre a vontade de desistir e a de tentar de novo. Entre e a insegurança e a confiança.

E você? Aceita seu choro? Aceita o choro alheio ou fica desesperado esperando que acabe logo?

Dê boas vindas as lágrimas!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Colhendo os frutos do Projeto BomDia! (e também a Ayurveda)

Imagem daqui: http://www.saladeayurveda.com/2009/03/dinacharya.html


Comecei o Projeto BomDia! (que tinha o objetivo de me fazer acordar cedo diariamente) por esses motivos, mas como falei nesse post acabei achando melhor interrompê-lo.
Pois bem, mesmo tentando não encarar como falha o gosto amargo de não conseguir tinha ficado. Tentei afasta-lo e não me culpar. Consegui respeitar meus limites frente as circunstancias.
Pois bem, eis que alguns dias depois disso tudo percebi que o Projeto realmente funcionou!
Nesses últimos dias tenho acordado entre 6 e 7 horas sem despertador ou esforço. O esforço é sempre para levantar... rsrs
Mas acordo bem disposta, sem a sensação que preciso dormir mais (como aconteceu nos dias que me fizeram rever o projeto).
Paralelo a isso, estou estudando sobre Ayurveda e perdidamente apaixonada por essa medicina. Encontrado muitas das minhas reflexões, dos meus desequilibrios e intuições nos estudos.
Encontrei sobre a importância da boa digestão de tudo que absorvemos e de como as toxinas nos fazem mal. Como tinha refletido nesse e nesse post.
Sobre a importância do auto cuidado e do carinho conosco que me lembrou esse post.
Até sobre a importância da rotina e da regularidade que me fizeram iniciar o Projeto BomDia!.
Continuo meu caminho, com um passo de cada vez e a certeza que a vida flui com leveza quando permitimos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Equilíbrio e movimento

Eu sou a louca que fica em busca do sentido da vida. Tem dias que me sinto um ponto solto em uma costura mal feita e simplesmente não entendo o porque viver.
Mas hoje, durante uma meditação, encontrei uma resposta que me acalentou.
A busca principal da vida é o equilíbrio. E vamos encontra-lo voltimeia e perde-lo logo em seguida. Mas temos de estar atentos em como o alcançamos e em como perdemos. É natural que o percamos, o segredo e saber o que precisamos para recupera-lo.
Bem na verdade o equilíbrio é mesmo movimento, não é algo imutável. Tente equilibrar algo na ponta dos dedos e vai entender do que estou falando: é preciso ajustar o movimento conforme o peso do objeto, o vento, nossa própria respiração...

E é nisso que entra o auto conhecimento, a observação...saber quando precisamos de menos isso e mais aquilo. Dos ajustes que precisam ser feitos para manter tudo em ordem.

Eu preciso de menos informação e mais espaços vazios, silêncios. E você?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Digerindo tudo!

Refletindo sobre minha desintoxicação de informação (nesse post) encontrei algo que vai de encontro com o que acredito, mas ainda não tinha percebido: preciso de uma desintoxicação geral. Mais do que isso, preciso aprender a conter meus excessos.

Informação e alimentação principalmente. Estou cheia demais de tudo. Alimentando meu corpo por um ansiedade que está se transformando em compulsão. Minha mente soterrada de informação porque tenho medo de onde meus pensamentos podem me levar.

Estômago cheio. Cabeça cheia. E eu com a sensação que não é suficiente. Sinto isso tão errado.

Preciso mesmo esvaziar. Escrever mais que ler.

Digerir tudo que está aqui antes de me alimentar de novo.

E então quando estiver vazia. Selecionar melhor os alimentos do estômago e da mente. Aproveitar melhor, degustar melhor e aprender a me satisfazer (ou reconhecer a satisfação).

Pausa nos blogs e na cozinha.

Vamos devagar, Roberta.