Hoje lembrei do parto do Benjamin mais uma vez. De como era pegar no colo aquele serzinho minúsculo de uma força que não cabia nele.
De conhecer a vida através da morte.
Para ele nascer muita coisa em mim teve de morrer.
Para que ele cresça em tamanho e sabedoria outras tantas morrem diariamente. Agora em nós dois...
Ser mãe traz a morte diariamente. Morre a cada dia a necessidade que ele tem de mim...nasce a cada dia as descobertas dele. As minhas também.
Talvez a dificuldade que tenho em ser mãe seja a de saber deixar morrer o que precisa ir. Soltar, desapegar...
Metade de mim se agarra enquanto a outra se esquiva.
Talvez o segredo de tudo seja simplesmente deixar morrer para que o novo venha, nasça.
Soltar, deixar fluir...
Eu sou um rio de sangue que desemboca no mar de Iemanjá.
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